Era uma vez um reino muito distante, onde viviam milhares de pessoas. O nome desse reino era Reino de Aracubaca.
Nesse reino havia um imenso castelo, onde vivia a família do Rei, seus súditos e alguns outros empregados.
O rei de Aracubaca era o Rei Chatus Meirelles, um rei muito malvado que tinha como passatempo predileto mandar cortar a língua de todos que ousavam falar algo de mal sobre as atitudes do rei e da sua família.
Embora a maioria da população de Aracubaca vivesse em pobreza absoluta, dentro do castelo havia muito ouro e muitas jóias, além de milhões de objetos de valor e roupas finas e caras.
Nesse castelo havia ainda um jovem bobo da corte. O seu nome era Dejievet, um palhaço muito engraçado que tinha como objetivo principal fazer o rei se divertir.
Conta-se que O Bobo Dejievet era tão engraçado, tão engraçado, que desde que ele fora trabalhar lá no castelo, o número de línguas cortadas pelo rei havia diminuído pela metade.
Dejievet, o bobo, vinha de uma família de Bobos da corte e toda a sua geração, também havia sido bobos da corte do Reino de Aracubaca.
A frase predileta do rei Chatus Meirelles, (assim como a da rainha da história de Alice) era:
-Cortem a língua dele, cortem a língua dele!
Se falavam do preço do feijão ele gritava:
-Cortem a língua dele, cortem a língua dele!
Se reclamassem da água podre que o rei obrigava o povo a beber, ele gritava:
-Cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele!
Se faziam qualquer comentário a respeito do tamanho da barriga do rei...
-Cortem a límgua dele, cortem a língua dele!
Um dia, o bobo Dejievet, no cumprimento da sua função, após uma grande sessão de risadas do rei, fez a seguinte afirmação:
- “Eu e tu somos iguais,
E iguais viemos ao mundo,
Mesmo que tenhas castelos,
E eu um buraco fundo.
Mesmo que tu tenhas jóias,
E eu nem o que comer,
Posso afirmar pra você
Que nós dois somos iguais,
Mesmo eu não tendo nada
e você tendo demais.
Mesmo que digas ser belo,
e que pra ti minta o espelho
somos todos igualzinho,
pois todo sangue é vermelho
E ainda te digo mais,
sem querer causar intriga,
que o que tu tem mais que eu,
é o tamanho da Barriga
mesmo tendo a cor de leite
e eu a cor do café
ninguém é pior que ninguém
acredite quem quiser
Pela palavra de Deus,
Somos imagem e semelhança
e embora não pareçamos
pelo tamanho da pança,
ainda que não tenha pena
do teu povo e sua dor
ainda somos iguais,
no sangue, na sua cor...
o Rei, ao ouvir aquilo e perceber que todos no castelo riam da sua cara de bobo, resolve gritar:
- Cortem a língua dele !!!!
- Cortem a língua dele!!!!
- Cortem a lingua dele!!!!
E decreta, para que em três dias o pobre bobo da corte Dejievet tenha sua língua cortada em praça pública.
O jovem bobo da corte, ainda sem perder a piada gritou:
- Chatus Meirelles, é mais fácil eu perder a língua do que você perder a metade de sua barriga! kA kA kA kA kA ! E todos riram novamente da cara do rei.
O rei indignado, manda prendê-lo num velho sótão cheio de guardas naquele imenso castelo.
II
O rei Chatus Meirelles, não conseguiu dormir aquela noite, lembrando das sábias palavras do bobo da corte e percebendo que não poderia aceitar aquela desmoralização , manda que centenas dos seus empregados distribuam um comunicado geral em que decreta:
- Fica sendo de conhecimento de todos, do reino de Aracubaca, que toda a família real, incluindo o rei, a rainha e os seus herdeiros possuem sangue azul e por essa razão ele e todas as suas próximas gerações iriam continuar a mandar e desmandar no reino de Aracubaca pelos próximos milhares de anos que se seguissem.
E diz mais: O Rei Chatus Meirelles convoca a todos para assitirem ao corte da língua do bobo da corte Dejievet, por calúnia, injúria e atentado a moral à vida do rei e da sua família.
E naquele dia , todas as pessoas humildes do reino, não conseguiram dormir, pois o bobo Dejievet era uma pessoa muito estimada e considerada dentro do reino.
III
O seu avô, o velho bobo Djan, que era um velhinho de 102 anos, adorado por todos do reino de Aracubaca, ficou muito triste com aquela notícia e resolveu tomar uma atitude para acabar com as tiranias do rei Chatus Meirelles. Durante toda aquela madrugada e durante os dias que se seguiram, o velho bobo Djan percorreu todas as casas do reino, pedindo ao povo que se rebelasse e o ajudasse a salvar o seu neto Dejievet .
IV
Dois dias depois, como estava previsto, no dia do Bobo Dejievet ir para a guilhotina, já estavam todos preparados para a morte, inclusive Dejievet, que já estava com a sua língua na linha do corte.
O Rei Chatus Meirelles, percebeu que a população do reino de Aracubaca estranhamente não se fazia presente na praça e querendo se aparecer para os seus súditos, resolve brincar com o bobo Dejievet dizendo:
- Para mostrar a bondade do rei, e enquanto o povo não chega, decido oferecer pra você um copo do vinho mais precioso que existe na minha bodega.
O bobo Dejievet, sem perder a piada contratacou dizendo:
- Não, vossa "gordureza", quer dizer, vossa alteza. Não preciso.
Na verdade , Eu não paro a língua quando eu bebo.
kA,kA,kA,kA
E todos riram novamente da cara de palhaço do rei, que nervoso e percebendo que todo o povo de Aracubaca não se fazia presente resolve gritar:
- Cortem a língua dele
- Cortem a língua dele
- Cortem a língua dele
E dada a ordem para a execução do bobo, fez-se um imenso silêncio enquanto soaram as trombetas.
- Pela ordem do rei, agora levamos a execução do silêncio eterno o bobo da Corte Dejievet, que insurgiu contra o rei e sua família. Gritou o guarda!
Então , nesse momento, como se num passe de mágica, milhares de pessoas moradoras do reino de Aracubaca, comandadas pelo velho bobo Djan, invadiram aquela praça e correram em direção a guilhotina.
E Por um único segundo conseguiram impedir que a língua do bobo Dejievet fosse cortada.
Acuados, a família do rei e seus súditos correram em direção ao castelo, enquanto na praça se travou uma sangrenta batalha entre o povo e os soldados do rei.
Após algumas horas de combate e com todos os guardas dominados, era a hora de se fazer justiça. Invadiram o castelo, prenderam a família real e levaram o rei Chatus Meirelles para a guilhotina.
V
Então o que se conta lá pelas bandas do reino de Aracubaca é de arrepiar os cabelos, a guilhotina desceu, a língua do rei Chatus Meirelles rolou pelas ruas e o que ficou claro para todo mundo, era que quem estava certo desde o começo foi o Bobo Dejievet, pois o Sangue do rei Chatus Meirelles, que escorria pelo lugar era vermelho e enquanto o povo gritava – Somos iguais , Somos iguais! Perceberam que precisavam de um novo rei para governar o reino de Aracubaca.
O novo rei escolhido para isso foi o valente bobo Dejievet; que como primeiro ato, mudou o nome do reino de Aracubaca para reino das gargalhadas...
E até hoje no reino da gargalhada, todos conhecem a história do bobo Dejievet, aquele que conseguiu libertar o reino das mãos do Rei Malvado e que mostrou para todo mundo que independente de tudo, todos nós somos iguais...
E todos viveram e vivem até hoje... felizes para sempre.
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