VIDA E POESIA

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

viva a poesia!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A incrível estória de amor entre a Estrela e o Canário

I
Certa feita um passarinho
Canário tipo amarelo
Entre todos, o mais bonito
Daqueles que de tão belo
Reis e rainhas queriam
Pra enfeitar o castelo.

II
Mas sempre o canário se ia
E por ser esperto e veloz
Conseguia então ficar livre
E escapar do seu algoz
Com toda sua simpatia
Soltando sua bela voz.

III
Um dia voando a noite
Ele avistou uma estrela
E como a estrela era linda
Nunca cansava de vê-la
Passava noites em claro
Não conseguia esquecê-la.

IV
A estrelinha brilhava
E encantava o canário
Voando sempre mais alto
Como num eterno calvário
Nunca alcançava a amada
Caía no chão solitário.

V
Foram tantas suas quedas
Tão suadas tentativas
Com viagens mais distantes
Cada vez mais cansativas
Cumprindo uma árdua missão
Ignorando outras divas.

VI
Ele voou pelo mundo
Passou por diversos lugares
Conheceu outras estrelas
Viajou por outros mares
Mas nunca chegava a lua
Sem o canário nos ares.

VII
Falava com outros canários
Que sorriam quando o viam
Chamavam-no de maluco
Com ele se divertiam
Mostravam ser impossível
Pará-lo não conseguiam.

VIII
Canário cantava mais alto
Pra ver se a musa escutava
Calada mas sempre sorrindo
Para ele a estrela mirava
E ele empolgado subia
Voando mais longe chegava.

IX
Todo mundo admirava
Por ver tanta resistência
Não parava nem com vento
Nem pensava em desistência
Pois sempre ao cair da noite
Voava com persistência.

X
De manhâ se preparava
Pra subir sem parar
Comia frutas maduras
Para tentar agüentar
Cansado, perdia as forças
Não podia manter-se no ar.

XI
Todo dia, um após ou outro
Sempre acabava no chão
Mas reunia mais forças
Para seguinte a missão
Não conseguia explicar
Os desejos do seu coração.

XII
Um dia ele decidiu
Tentar pela última vez
Com muita concentração
Um plano ele fez e refez
Era a tentativa final
Não tinha nem não nem talvez.





XIII
Descansou desde cedinho
E assim que o sol desceu
O passarinho partiu
Com a sorte que deus lhe deu
Pois foi sempre tão obstinado
Desde quando ele nasceu.

XIV
Voou veloz como nunca
Pro alto, bem leve, pra cima
Com seu nobre objetivo
Poder ver estrela menina
Vivendo feliz ao seu lado
O fim ninguém nem imagina.

XV
subiu como nunca antes
E a estrela de perto foi vendo
Atravessou a madrugada
Viu o dia amanhecendo
Então ele reparou
O que estava acontecendo.

XVI
A estrela foi clareando
Aos poucos se foi sumindo
Canário não entendia
Pois se achava subindo
Perdeu-se ao brilho dela
E aos poucos ele foi caindo.

XVII
Já disse o velho ditado
Que a queda era bem maior
O quanto maior era a altura
Pro canário era pior
Rapidamente descendo
Pesado de tanto suor.

XVIII
A queda durou muito tempo
Canário vinha desmaiado
Pequena ave tão forte
Ficaria no chão machucado
Chegava-lhe a hora da morte?
Ou Seria por fim destroçado?









XIX
Mas a estrelinha chorou
Ao ver seu canário descer
Ficava se perguntando
Será que ele vai morrer,
Depois vai virar uma estrela
E então comigo viver?

XX
Estrelinha percebeu
Que essa sua indecisão
Podia causar a morte
Da sua grande paixão
Pensava e nada fazia
Parada entre o sim e o não.

XXI
Sem saber o que fazer
Chorou, chorou e chorou
Então foi se desfazendo
Sem entender nada ficou
E foi lhe surgindo uma idéia
Salvando quem tanto a amou.

XXII
Estrela então decidida
Dissolveu-se de repente
Dando um mergulho do céu
Descendo rapidamente
Seu brilho no ar espalhado
Tornou-se uma estrela cadente...

XXIII
Seu brilho tocou o canário
Fazendo de luz o seu ninho
Estória de amor verdadeiro
Salvou o pobre o passarinho
Deus a fez linda jandaia
Voando no mesmo caminho.

XXIV
Pra quem não conhece o que digo
Jandaia é um pássaro raro
Penas lindas e brilhantes
Um pássaro fino e caro
Um canto que encanta quem ouve
Um som que é tão doce e claro.

XXV
Felizes os dois viveram
Voando juntinho assim
E o que agora era bom
Poderia ter sido ruim
Se estrela não descobrisse:
O amor é mais forte no FIM!!!!

cordel de
Tiago Oliveira (26/10/2010)